O futuro imediato do Sporting Clube da Covilhã ficou parcialmente desbloqueado esta noite, na Assembleia Geral Extraordinária realizada no Auditório Municipal da Covilhã. No final de mais de quatro horas de reunião, ficou a garantia de que surgirá pelo menos uma lista candidata ao próximo ato eleitoral, marcado para 6 de junho, enquanto a atual comissão de gestão se manterá em funções até essa data — mas já sem Carlos Casteleiro na coordenação.
A garantia de uma candidatura foi deixada por Paulo Cunha Ribeiro, durante um dos momentos decisivos da reunião.

Dirigindo-se aos elementos da Comissão de gestão pediu para “aguentarem o barco até lá e dia 6 garantidamente pelo menos uma lista aparece”, assegurou.
Também ficou definido, por unanimidade, que a comissão de gestão continuará a assegurar os destinos do clube nas próximas três semanas, embora sem Carlos Casteleiro, que manteve a decisão de abandonar funções, posição já assumida anteriormente e que reiterou durante a assembleia.
A solução acabou por surgir depois de vários momentos de impasse, tendo o próprio Carlos Casteleiro proposto que José Santos assumisse a coordenação da comissão até às eleições.
“Para sairmos deste impasse, eu proponho que o José Santos coordene a Comissão até à altura das eleições, no dia 6. (…) E que toda a gente faça um sacrifício”, afirmou.
Gestão do clube dominou assembleia

O ponto mais quente da noite foi precisamente a gestão do clube, numa altura em que o Sporting da Covilhã continua sem órgãos sociais eleitos, depois de não terem surgido listas para nas eleições de 9 de maio.
Logo no início da sessão, Carlos Casteleiro, coordenador da comissão de gestão, deixou claro que não avançaria para uma nova comissão, mesmo perante os sucessivos apelos dos sócios presentes.
Ao longo da reunião, vários associados reconheceram o trabalho desenvolvido sob a sua liderança, destacando a manutenção desportiva alcançada e o facto de a atual estrutura ter conseguido clarificar a situação financeira do clube, que, foi dito, é grave, mas “não há opacidade”.
Apesar do reconhecimento e dos apelos emocionados, Carlos Casteleiro mostrou-se irredutível, acabando também por gerar hesitações nos restantes elementos da comissão, que demonstraram reservas em continuar sem o principal rosto da liderança.
Interrupção dos trabalhos expôs risco de vazio diretivo

Depois de uma interrupção dos trabalhos para reunião interna da comissão, João Campos, presidente em exercício da Mesa da Assembleia Geral, revelou que não havia consenso para a continuidade.
“A Comissão reuniu, não chegou a consenso, ou seja, a posição do doutor Carlos Casteleiro é irreversível, não se chegou a consenso para continuar com os destinos do clube. E a minha pergunta é o seguinte, o que é que vamos fazer?”, questionou.
A preocupação com um eventual vazio de gestão foi reforçada por Carlos Mineiro.
“Não há uma pessoa que vá liderar a Comissão. A Comissão fica sem líder, os membros, porque não têm líder, também não dão continuidade a esse trabalho, então ficamos aqui num vazio de gestão”, alertou.
Perante a possibilidade de não surgirem alternativas, Mineiro admitiu mesmo um cenário extremo:
“Não vejo outra saída. Apresentar ao Tribunal para constituir uma Comissão Liquidatária, pois ninguém quer continuar aqui, neste momento.”
Sócios pressionaram por uma solução intermédia
Durante o debate, os sócios insistiram numa solução transitória que evitasse um vazio diretivo até às novas eleições.

Marco Gabriel, que já tinha avançado com a proposta de marcar eleições e se não houvesse listas criar uma comissão de gestão por um ano, defendeu nesta altura a continuidade da comissão, lembrando que o clube não podia depender apenas de uma pessoa.
“O Dr. Carlos Casteleiro não está disponível. Nós agradecemos e reconhecemos o seu trabalho, mas o clube não pode depender de uma só pessoa”, afirmou, defendendo que os restantes elementos da comissão deveriam continuar.
O associado propôs ainda um calendário rápido para desbloquear a situação.
“Estamos a falar de três semanas. (…) Marquemos em simultâneo uma Assembleia Geral Extraordinária para o dia 6. E no dia 6 temos uma solução, de uma maneira ou de outra.”
Paulo Cunha Ribeiro reforçou o apelo à permanência temporária da estrutura e deixou ainda uma garantia financeira.
“Eu compreendo que há aqui um problema de 30 mil euros para enfrentar até às eleições. Portanto, quem ficar pode estar descansado que os 30 mil euros aparecem”, disse.
Eleições a 6 de junho e listas até dia 2
A assembleia acabou por aprovar, por unanimidade, a realização de eleições no próximo dia 6 de junho, com entrega de listas até 2 de junho.
João Campos explicou que o processo seguirá os moldes já previstos para o anterior ato eleitoral.
“Sou escravo dos meus compromissos”: a despedida de Carlos Casteleiro

No início da Assembleia, Carlos Casteleiro fez um discurso de despedida marcado pelo balanço do trabalho desenvolvido pela comissão de gestão, agradecimentos e um recado dirigido aos críticos.
O coordenador cessante começou por recordar o contexto em que assumiu funções, sublinhando a gravidade da situação encontrada no clube.
Carlos Casteleiro destacou a manutenção desportiva alcançada e insistiu que esta só foi possível devido à estabilidade criada nos bastidores.
No plano financeiro, o responsável garantiu que o clube vive hoje uma realidade distinta da encontrada no início do mandato.
“O Sporting Clube da Covilhã encontra-se hoje numa situação incomparavelmente mais estável e preparada do que aquela que encontrámos quando assumimos funções”, assegurou, acrescentando que “os salários de todos os funcionários e atletas do clube estão em dia”.
No discurso, deixou ainda um agradecimento público à autarquia covilhanense.
Apesar dos vários apelos recebidos dos sócios para continuar, Carlos Casteleiro reafirmou que a decisão de sair era definitiva, lembrando o compromisso assumido quando aceitou liderar a comissão.
“Sou escravo dos meus compromissos e este foi o que estabeleci com todos vocês”, declarou.
O dirigente admitiu sentir-se sensibilizado pelas manifestações de apoio, mas explicou que razões pessoais e profissionais impedem a continuidade.
“Compreendo, valorizo e agradeço profundamente todas as manifestações de confiança, reconhecimento e incentivo à continuidade (…) Ainda assim, por coerência com o compromisso assumido e por razões pessoais e profissionais, não continuarei a exercer funções diretivas.”
Num dos momentos mais duros da intervenção, deixou críticas a quem, nas últimas semanas, apontou motivações pessoais à sua atuação no clube.
“Disseram várias vezes que tudo isto não era mais do que uma estratégia pessoal para que acabasse a ser candidato”, afirmou, antes de lançar um desafio: “Apresentem um projeto e ajudem o Sporting Clube da Covilhã. Isso sim é que é importante.”
