A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Covilhã assinalou hoje, 21 de junho, o seu 151.º aniversário, numa cerimónia marcada pela valorização do trabalho desenvolvido pela corporação, pela aposta na formação de novos elementos e pela resposta às recentes críticas dirigidas à direção.
Em declarações à Rádio Clube da Covilhã, o presidente da direção, Joaquim Matias, desvalorizou o clima de tensão que tem sido alimentado nas últimas semanas e assegurou que a instituição continua a funcionar com normalidade.
“Aquilo que se alimenta nas redes sociais não é o que se passa no interior da associação”, disse.
Questionado sobre o ambiente de crispação vivido na associação, Joaquim Matias garantiu que a realidade interna é distinta da imagem que tem sido transmitida publicamente.
“Aquilo que se diz e que se alimenta nas redes sociais não é exatamente aquilo que se passa no interior desta associação”, afirmou.
O dirigente recordou que os atuais órgãos sociais foram “legitimamente eleitos até março de 2028” e assegurou que a direção está a cumprir rigorosamente os estatutos da instituição.
“Respeitamos quem gosta, respeitamos quem não gosta, respeitamos aqueles que cumprem o juramento e até respeitamos aqueles que não cumpriram o juramento que fizeram. (…) Porque nós precisamos de todos. Precisamos dos que estão cá, dos que estão cá e lá, e dos que estão lá.”
Joaquim Matias responde às críticas e aos pedidos de demissão
Confrontado com as acusações de falta de diálogo e pedido de demissão subscritos por um grupo de bombeiros, Joaquim Matias defendeu o trabalho desenvolvido desde que assumiu funções, em 2012.

“Quando nós assumimos funções em 2012, assumimos uma casa em que havia muita instabilidade. Numa casa em que, das cinco pessoas que foram contactadas para presidir a uma direção, nenhuma delas aceitou. E eu aceitei. Aceitei por imperativo da minha consciência e por entender que podia dar alguma coisa à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Covilhã e aos bombeiros em Portugal.”
O presidente destacou ainda o seu percurso no movimento associativo dos bombeiros.
“Eu tenho praticamente todas as condecorações da Liga dos Bombeiros Portugueses. Sou membro do Conselho de Honra da Liga dos Bombeiros Portugueses. Sou, graças a Deus, uma pessoa respeitada no mundo dos bombeiros voluntários em Portugal.”
Sem especificar situações concretas, admitiu que “há algumas coisas que foram feitas que não deviam ter sido feitas”, mas recusou tornar públicas essas questões.
“Nunca houve falta de socorro”
Apesar da ausência de alguns elementos no serviço voluntário, Joaquim Matias assegurou que a capacidade operacional da corporação não foi afetada.
“O socorro à população está garantido. Nunca houve falta de socorro.”
O dirigente revelou que acompanha diariamente a atividade da corporação.
“A direção tem um relatório diário que me é entregue todos os dias entre a meia-noite e a meia-noite e um quarto e que eu, todas as noites, avalio, do serviço que prestamos e do serviço que recusamos. Estamos a fazer mais serviço do que fazíamos no passado. Estamos a conseguir dar mais respostas do que dávamos no passado.”

Quanto à colaboração com outros corpos de bombeiros, sublinhou que se trata de uma prática habitual.
“A proteção civil está muito bem estruturada. Essa é uma prática comum. Portanto, não se compreende o alarmismo que, por vezes, se tenta criar junto da população para justificar aquilo que é injustificável.”
Escolinha com 30 crianças representam “a esperança do futuro”
Um dos aspetos destacados nas comemorações foi a aposta na renovação geracional da corporação.
Atualmente, as escolinhas contam com cerca de 30 crianças.

“Temos nas escolinhas cerca de 30 futuros bombeiros. Acreditamos que nem todos venham a ser bombeiros, obviamente, mas esta é a nossa esperança.”
Joaquim Matias recordou ainda a participação do grupo num evento de apoio à Seleção Nacional, considerando-o um reconhecimento importante.
“Quando conseguimos levar estas 30 crianças a apoiar a Seleção Nacional e as mais altas figuras do país lhes transmitem a vontade de os ver crescer nos bombeiros e serem futuros bombeiros, está tudo dito. Esta é a nossa esperança.”
O presidente lembrou, contudo, que a formação é um processo exigente.
“Um bombeiro, para ser formado, tem, no mínimo, de andar dois ou três anos em formação.”
A expectativa é que em 2027 a corporação possa integrar novos elementos na carreira operacional.
Gratidão à 4.ª Secção do Paul e alerta para a época de incêndios
Joaquim Matias deixou ainda uma palavra de reconhecimento à 4.ª Secção do Paul, responsável pelo apoio à zona sul do concelho.
“A 4.ª Secção do Paul tem sido fundamental para o apoio à zona sul do concelho. Neste momento tem cerca de 30 bombeiros, o que é fantástico.”
O dirigente aproveitou para transmitir uma mensagem de tranquilidade à população. “O nosso território está seguro.”

Ainda assim, alertou para as dificuldades que 2026 poderá trazer devido às condições meteorológicas.
“Temos consciência de que 2026 não vai ser um ano fácil. As temperaturas estão elevadas, a limpeza dos terrenos foi feita, mas voltou a crescer o mato e há muita matéria combustível.”
Apesar disso, reforçou a articulação nacional entre corporações. “Os bombeiros da Covilhã não estão sozinhos. Os bombeiros da Covilhã estão com os bombeiros de Portugal, como os bombeiros de Portugal contam com os bombeiros da Covilhã.”
5.ª EIP mantém-se como objetivo e associação prepara novos investimentos
Entre os projetos futuros, Joaquim Matias reiterou a ambição de criar uma quinta Equipa de Intervenção Permanente (EIP).
A candidatura não avançou este ano por falta de parecer favorável da Câmara Municipal.
“Não fizemos a candidatura à quinta EIP este ano porque a Câmara Municipal entendeu que este ano não emitia declaração. Se tivéssemos uma quinta EIP, seriam 25 homens em prontidão e garantiríamos as 24 horas de socorro.”
Sem essa estrutura, a corporação tem de recorrer a uma reorganização permanente dos serviços.
“Temos de criar uma engenharia de escalas para que as populações estejam seguras nas 24 horas.”
O presidente manifestou ainda preocupação com a diminuição do voluntariado.
“O voluntariado é importantíssimo. Tudo faremos para que não acabe, mas temos o receio de que um dia possa vir a acabar. O voluntariado tende a acabar porque hoje há muito pouco voluntariado. Felizmente, na nossa associação ainda temos voluntariado e não queremos que acabe.”

No plano das infraestruturas, a associação pretende ampliar a área junto ao museu para acolher viaturas históricas e melhorar as instalações da secção do Paul.
Joaquim Matias mostrou-se otimista quanto ao futuro. “Acredito que o ano de 2027 possa ser um ano em que possamos ter mais e melhores infraestruturas.”
