Segundo os dados revelados pelo Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário e Calçado da Beira Interior, SINTTELVEC-BI, a greve no setor registou uma adesão entre os 50% e os 70% nos primeiros turnos de trabalho.
De acordo com o sindicato, os números demonstram uma forte mobilização dos trabalhadores na contestação ao denominado “pacote laboral”, que consideram representar um ataque aos direitos laborais, à contratação coletiva e aos salários. A estrutura sindical afirma ainda que as alterações propostas constituem uma afronta à Constituição da República Portuguesa e defende a necessidade de uma mudança de rumo nas políticas laborais do país.
Em comunicado, o SINTTELVEC-BI refere que o apoio à luta tem sido unânime nos plenários realizados junto dos trabalhadores. Contudo, reconhece que muitos funcionários não aderiram à paralisação devido a fatores como a precariedade laboral, o receio de represálias, as pressões exercidas no local de trabalho e os baixos salários praticados no setor.
Nas empresas do Grupo Paulo de Oliveira, os níveis de adesão variaram entre os 50% e os 70%. Na Tessimax, onde o sindicato destaca a presença significativa de trabalhadores estrangeiros, a participação dos trabalhadores efetivos terá atingido cerca de 70%. Na Penteadora, a adesão situou-se nos 60% no primeiro turno e nos 50% no turno geral. Já na empresa Paulo de Oliveira, a participação rondou os 60%.
Noutras empresas do setor, a adesão à greve foi igualmente expressiva. Na Haco, o sindicato aponta para uma participação de cerca de 65%, enquanto na Benoli o valor registado terá sido de aproximadamente 62%.
Além da contestação às alterações legislativas, o sindicato destaca o descontentamento dos trabalhadores relativamente aos salários e ao valor do subsídio de alimentação. Segundo o SINTTELVEC-BI, no setor dos lanifícios o subsídio é atualmente de 2,80 euros por dia, aumentando para 3 euros a partir de 1 de julho, valores que considera insuficientes. No setor do vestuário, o montante mantém-se nos 2,80 euros.
