O centro da Covilhã recebeu esta terça-feira uma manifestação contra o racismo e a xenofobia, promovida pelo Coolaboratório, grupo de jovens ativistas pelos direitos humanos ligado à CooLabora. A ação decorreu na Praça do Município e procurou sensibilizar a população para o crescimento dos discursos discriminatórios e xenófobos.
Rosa Carreira, membro da CooLabora e responsável pelo Colaboratório, explicou que a iniciativa surge da preocupação dos jovens com o aumento de discursos extremistas.
“É mais uma das iniciativas do Colaboratório, que é um grupo de jovens ativistas pelos direitos humanos que está na CooLabora desde 2021, a lutar pelos direitos humanos. Temos abordado várias temáticas, hoje foi a vez desta aqui, porque realmente é um assunto que cada vez mais levanta extremismos e pessoas atreverem-se a expressar opiniões racistas e, portanto, contra os direitos humanos.”
Caixas com mensagens para desmontar discursos populistas

A manifestação destacou-se pela utilização de caixas com mensagens que reproduziam frases frequentemente usadas em discursos populistas, acompanhadas de dados e estatísticas destinadas a contrariar essas afirmações.
“Os jovens decidiram abordar este tema desta maneira, com estas caixas, com mensagens, usando frases que são usadas pelos populistas para instigar o ódio e usando, depois então, as frases com dados e estatísticas que desmentem essas frases que instigam ao ódio”, explicou Rosa Carreira.
Segundo a responsável, a propagação destas mensagens é amplificada pelas redes sociais.
“As pessoas estão habituadas, através das redes sociais principalmente, a absorver estas ideias que são tóxicas e que a única coisa que conseguem é virar umas pessoas contra as outras e não levam a lado nenhum em termos civilizacionais, só levam a um retrocesso civilizacional.”
Mais importante do que a adesão foi marcar presença
Apesar de o número de participantes ter sido condicionado pela época de exames e pelo final do ano letivo, Rosa Carreira considera que o principal objetivo da ação foi alcançado.
“O objetivo não foi as pessoas juntarem-se à manifestação. O grande objetivo não era esse, mas mais nós estarmos aqui a receber quem possa passar e gostamos de ver também pessoas a passarem e a lerem as frases, porque é esse o nosso objetivo, é chamar a atenção.”

Ao longo da tarde, vários transeuntes pararam para observar a iniciativa e deixaram mensagens nas caixas disponibilizadas para o efeito.
“As pessoas estão realmente a passar e a pararem para ver o que é que se passa aqui. Algumas já deixaram também frases”, referiu.
Jovens estrangeiros relatam aumento de episódios de racismo
Questionada sobre a realidade local, Rosa Carreira afirmou que os jovens do Coolaboratório, oriundos de vários países, têm sentido um agravamento das atitudes discriminatórias na cidade.
“Estas raparigas e rapazes dizem que desde que estão na Covilhã, e são jovens, não estão aqui há tanto tempo, têm notado um crescimento dessa manifestação de racismo contra eles e xenofobia.”

A responsável apontou ainda as reações negativas registadas nas redes sociais após a divulgação da iniciativa.
“Há de facto pessoas que antes tinham vergonha de manifestar essa opinião e agora, a coberto de políticos que estão a defender essas ideias publicamente, também já têm coragem de vir para a rua manifestar essas ideias.”
“Temos de avançar” na defesa dos direitos humanos
Perante aquilo que considera ser uma regressão em algumas áreas dos direitos humanos, Rosa Carreira defende um reforço do trabalho de sensibilização.
“Temos feito trabalho na área da igualdade de género e vamos ter que começar a insistir também mais nesta área porque, de facto, também está a receber uma regressão em termos de defesa dos direitos humanos e, portanto, temos que avançar.”

A responsável considera que a discriminação racial continua a assentar em preconceitos sem fundamento e apelou à educação e à informação como ferramentas de combate ao racismo.
“É ridículo ser racista em Portugal. Basta pensar que na Europa do Norte também acham que os portugueses são praticamente árabes ou africanos e, portanto, nós estarmos a defender também que haja pessoas acima de nós, porque são mais louras e mais altas, e com a pele mais clara, que também achem que nós somos inferiores, é só estúpido e, ainda por cima, não temos problemas, como dizem os relatórios, não temos problemas de aumento de criminalidade, não temos problemas de desemprego, portanto, é só mesmo desinformação e falta de educação, porque se as pessoas forem educadas, não têm estas ideias.”
