Moda, inclusão e envelhecimento ativo marcaram desfile do CAI na Covilhã

A Praça do Município da Covilhã transformou-se numa passerelle de inclusão, diversidade e partilha intergeracional com a realização da 9.ª edição do Desfile de Moda do Centro de Ativ’Idades (CAI), este ano subordinado ao tema “A Moda é Para Todos”.

A iniciativa, promovida pelo Centro de Ativ’Idades do Município da Covilhã, reuniu cerca de meia centena de participantes com idades compreendidas entre os 7 e os 90 anos, num evento que voltou a colocar em destaque o envelhecimento ativo, a autoestima e a valorização das capacidades de cada pessoa, independentemente da idade ou condição.


“Mais do que um desfile, um projeto de autoestima e inclusão”

Para a vereadora da Cultura e Ação Social da Câmara Municipal da Covilhã, Regina Gouveia, o desfile vai muito além da apresentação de roupa e acessórios.

“Esta 9.ª edição continua a pautar-se por colocar o envelhecimento ativo de uma forma muito especial. Não se trata apenas de movimento, não se trata apenas de enfrentarem novos desafios, trata-se também de terem desafios que alguns sonharam ter quando eram jovens e que nunca acreditaram que pudessem concretizar”, afirmou.

A autarca destacou ainda o impacto da iniciativa ao nível da autoestima e da saúde mental, bem como a sua dimensão inclusiva. “Juntamos ainda algo mais especial, que é colocarmos estes idosos, crianças, jovens, porque já era intergeracional, em diálogo com grupos que também sonham muito e precisam muito dos outros para concretizar sonhos”, referiu, apontando a participação de instituições como a Casa do Menino Jesus e a APPACDM.

Segundo Regina Gouveia, o trabalho desenvolvido nos meses que antecedem o desfile é tão importante quanto o espetáculo final. “O caminho para este desfile é muito importante porque também tem a ver com o envolvimento no seio da comunidade”, sublinhou.

A mudança do evento para a Praça do Município teve também como objetivo aproximar a iniciativa da população. “Acreditamos que esta centralidade é importante. Quando falamos de eles estarem a realizar sonhos ou a sentirem-se especiais por estarem a desfilar, acredito que se sintam ainda mais especiais por estarem a fazê-lo na Praça do Município”, acrescentou.

“A moda não é só para alguns, é para todos”

Entre os parceiros da iniciativa esteve a Paulo Runa House, presença habitual no desfile. Para Paulo Runa, a mensagem deste ano traduz a essência do próprio setor.

“Eu acho muito importante porque a moda não é só para alguns, é para todos. Toda a gente tem de se vestir, toda a gente tem de se calçar e toda a gente gosta de andar na moda”, afirmou.

O empresário considera que este tipo de iniciativas ajuda a quebrar estereótipos frequentemente associados aos desfiles de moda. “Normalmente os desfiles são muito direcionados a pessoas muito estéticas, muito magras e aqui não. Mostra-se um bocado que a moda é para todos, é para o mundo dos mortais”, disse.

“A moda é inclusiva. Ou pelo menos deve ser inclusiva”, acrescentou.

“A autoestima faz tudo”

Entre as modelos esteve Deolinda Carvalho, de 77 anos, participante assídua do desfile e que este ano voltou a subir à passerelle.

“Já é o quinto ano”, contou, mostrando entusiasmo pela iniciativa. “Gosto muito. Pela envolvência toda, pela atividade em si, por tudo.”

Para Deolinda, o desfile representa também um momento de convívio e apoio entre os frequentadores do CAI. “Há pessoas com depressão e com essas coisas que vão lá para o pé de nós e nós sempre temos uma palavra amiga, um riso, uma piada. As pessoas até ficam melhores.”

Questionada sobre a relação entre moda e bem-estar, não teve dúvidas: “Creio que sim. Por toda a envolvência que tem.” E resumiu a importância da confiança pessoal numa frase simples: “A autoestima faz tudo. Tenho que estar em alto.”

Um estreante de 76 anos na passerelle

Para Joaquim Varandas, de 76 anos, esta foi a estreia no desfile. Um desafio que aceitou como mais uma forma de se manter ativo.

“Pertencer ao CAI é nós interagirmos com pessoas da nossa idade, mas fazemos desde os cantares a diversas atividades, até à passagem de modelos”, explicou.

Apesar de ser o primeiro ano na passerelle, Joaquim mostrou-se satisfeito com a experiência. “É uma atividade que me faz sentir ativo e uma pessoa com 76 anos tem que pensar em mexer-se.”

O desfile contou ainda com momentos de animação musical protagonizados por Tiago Jesus, bailarinas do Kayzer Ballet e pelo grupo Vozes do CAI, contribuindo para um ambiente festivo que reuniu famílias, participantes, instituições e comunidade em geral.

Mais do que um desfile de moda, a iniciativa voltou a afirmar-se como uma celebração da inclusão, do envelhecimento ativo e da capacidade de concretizar sonhos em qualquer fase da vida.

O desfile contou com peças e acessórios apresentados pelas lojas: Modatex, Loja MM – Mónica Miguel; Paulo Runa House; Loja do Ruys; Sheep; loja da Sofia e To You – Loja da Adriana.