“Mais do que uma programação, este Em Trânsito pretende, através das artes, proporcionar momentos de encontro, experiências e partilhas coletivas, corpo a corpo e olhos nos olhos”, em públicos de todas as idades.
É desta forma que Sílvia Pinto Ferreira apresenta a 7.ª edição do Em Trânsito – Artes Performativas para Novos Públicos, que decorre entre 15 de outubro e 20 de novembro, na Covilhã e em várias freguesias do concelho e que tem organização da Quarta Parede.
A diretora artística do festival falava ao inicio da tarde desta sexta-feira em conferência de Imprensa.
O programa reúne 30 sessões, de acesso gratuito, entre espetáculos, oficinas e sessões de contos, dirigidas a públicos de diferentes idades e contextos, com especial atenção às crianças e aos jovens, para quem estas atividades podem representar um primeiro contacto com as artes ao vivo.
A programação passa por áreas como a dança, ilustração, narração oral, música, performance e teatro, com propostas de Bru Junça e Renata Bueno, Luís Carmelo, Madalena Victorino, Caroline Bergeron/Companhia Caótica, Lígia Soares e Margarida Mestre.
Uma das marcas desta edição é o reforço da descentralização. O Em Trânsito chega a Unhais da Serra, Casegas, Ourondo e São Jorge da Beira, procurando levar as artes performativas a territórios mais afastados da cidade e a espaços do quotidiano, como escolas, centros sociais e a biblioteca.
Sílvia Pinto Ferreira destaca, em particular, a aposta em públicos seniores. A programação arranca com AconTecer, de Bru Junça e Renata Bueno, que nos dias 15 e 16 de outubro vai ao encontro de grupos de idosos de Casegas, São Jorge da Beira e Ourondo. Bru Junça conta e faz contar histórias, enquanto Renata Bueno desenha os participantes.
“É a primeira vez que temos uma atividade que vai especificamente ao encontro destes grupos e acontece com eles”, explica a diretora artística, sublinhando também a novidade da presença da ilustração no programa. Os desenhos realizados durante os encontros serão posteriormente apresentados numa sessão de contos, no dia 17 de outubro, às 15h30, no Orfeão da Covilhã.
Para Sílvia Pinto Ferreira, esta aproximação aos seniores tem também uma dimensão de reconhecimento cultural. “Estas pessoas que agora têm acima de 70 anos são pessoas que, ao contrário de algumas crianças de agora, ouviram muitas histórias, contaram muitas histórias e o momento de contar histórias era um momento performativo por excelência, que era vivido em comunidade”, afirma.
A narração oral continua com Luís Carmelo, que estará em Unhais da Serra a 23 de outubro, durante o dia para crianças do pré-escolar e do 1.º Ciclo e, à noite, para o público em geral, na sede da Filarmónica de Unhais da Serra.
O programa prossegue com Chão de Meninos, de Madalena Victorino, nos dias 29 e 30 de outubro, na Biblioteca Municipal da Covilhã e no Orfeão. O espetáculo de dança e música, destinado a crianças a partir dos três anos, propõe uma experiência imersiva e sensorial e aborda questões relacionadas com o desaparecimento de espécies e paisagens. A criação contou ainda com a participação dos dois netos da coreógrafa.
Em novembro, o Orfeão recebe Tuiavii, de Caroline Bergeron/Companhia Caótica, nos dias 6 e 7, seguindo-se Namoro, de Lígia Soares, nos dias 12 e 13, na Biblioteca Municipal. Esta última proposta desafia jovens do ensino secundário a participar na própria performance, centrada em diferentes tipos de relacionamento, entre as relações interpessoais e a relação com a sociedade.
A fechar o programa está Tina Tona Toa, de Margarida Mestre. O projeto inclui oficinas em escolas, nos dias 2 e 3 de novembro, e culmina com um espetáculo na EPABI, nos dias 19 e 20. Trata-se de uma conferência performativa e musical sobre e para adolescentes, construída a partir do trabalho desenvolvido pela artista com os próprios jovens.
“Vai fazê-lo com os verdadeiros especialistas sobre adolescência, que são os jovens”, salienta Sílvia Pinto Ferreira.
A responsável destaca precisamente a diversidade etária desta edição, que consegue abranger públicos “do pré-escolar ao secundário”. Mas o objetivo do Em Trânsito vai além da criação de oferta cultural.
“Queremos acender centelhas dentro dos jovens, das crianças e sobretudo dos adultos”, afirma Sílvia Pinto Ferreira, defendendo que as artes podem despertar novas sensibilidades e contribuir para a literacia artística.
A diretora artística sublinha ainda a importância da experiência presencial numa época marcada pelos ecrãs. “Estamos a ver coisas ao vivo, com corpos que estão ali ao pé de nós, e estamos a sentir tudo juntos”, refere, considerando fundamental continuar a alimentar essa dimensão coletiva das artes performativas.
A programação é construída também com forte participação do público e depende das parcerias estabelecidas no território. Sílvia Pinto Ferreira explica que cada atividade resulta de um trabalho de preparação que pode começar dois ou três anos antes e que, no caso do Em Trânsito, a articulação com escolas, instituições sociais e estruturas locais é essencial.
Apesar da adesão das escolas, a diretora artística reconhece que a deslocação das turmas constitui um dos desafios da iniciativa. Por outro lado, a realização de espetáculos fora dos teatros implica adaptar os projetos a espaços que não estão originalmente preparados para receber este tipo de criação.
Ainda assim, é precisamente essa circulação por diferentes territórios que está na identidade do Em Trânsito. “O Em Trânsito tem uma componente de participação muito forte”, sublinha Sílvia Pinto Ferreira, acrescentando que “os espetáculos são todos feitos com grande interação com o público”.
A participação nas atividades é gratuita, mas sujeita a lotação e inscrição. O programa é financiado pela República Portuguesa – Cultura/DGArtes e Câmara Municipal da Covilhã e conta com o apoio de várias entidades locais.
