Penamacor debateu regionalização com foco no futuro dos territórios do interior

“Quanto mais autodeterminação dermos às pessoas que vivem nesses territórios, maior e melhor futuro teremos a nível nacional”. Foi desta forma que o presidente da Câmara Municipal de Penamacor, José Miguel Oliveira, enquadrou a importância do debate sobre regionalização que decorreu na sexta-feira naquele concelho.

A conferência “Regionalização: uma reflexão”, promovida pelo Grupo Cívico “Por Portugal. Por Todos.”, com o apoio do Município de Penamacor, reuniu no Palace Hotel & SPA – Termas de S. Tiago várias personalidades da vida pública e autarcas da região. A iniciativa procurou discutir a oportunidade, os termos e os possíveis modelos de regionalização, numa perspetiva de uma Administração Pública mais próxima e eficiente.


Na abertura e no encerramento dos trabalhos, José Miguel Oliveira destacou a importância do tema para quem vive nos territórios do interior e defendeu uma maior capacidade de decisão local.

“Este é um tema que diz muito a quem vive no Centro da Península Ibérica. Espero que, em conjunto, consigamos encontrar um caminho para que os nossos territórios se desenvolvam cada vez melhor e para que Portugal seja mais coeso.”

O autarca associou ainda a discussão sobre regionalização ao papel desempenhado pelo Poder Local ao longo dos últimos 50 anos.

“Completam-se, em 2026, 50 anos de Poder Local Democrático. Viveríamos muito pior se não fossem os municípios, as juntas de freguesia e o papel de proximidade dos autarcas junto das suas populações”, afirmou.

José Miguel Oliveira defendeu que uma maior proximidade na decisão poderá contribuir para o desenvolvimento dos territórios, considerando que não há dúvidas “de que o território seria muito mais desenvolvido se tivéssemos alguém que olhasse para ele de uma forma mais próxima”, disse.

A falta de investimento em algumas infraestruturas de ligação ao interior foi também apontada pelo presidente da Câmara de Penamacor como uma das questões a considerar no debate sobre o desenvolvimento territorial.

“É muito mais fácil olhar para investimentos como terceiras travessias sobre o Tejo, como mega aeroportos, como uma terceira, uma quarta ou uma quinta via na Segunda Circular, ou como qualquer outro investimento nos territórios do litoral, do que para vias tão estruturais como o IC31, o IC6 ou para a capilaridade das ligações entre os nossos territórios”, afirmou.

Para o autarca, a fixação de população não depende apenas da economia ou dos serviços públicos, sendo igualmente necessário reforçar as ligações entre os diferentes territórios.

“Não podemos ter tudo em todo o lado, mas podemos ter tudo aquilo de que necessitamos numa região”, concluiu.