Universidade que “refundou” a Covilhã está pronta para os desafios do futuro

Foi há 50 anos que o ensino superior chegou à Covilhã. A UBI é “herdeira de uma história” que começou quando a indústria estava em declínio, ajudando à “refundação” da cidade, recordou Mário Raposo, Reitor da UBI, durante a abertura solene do ano académico.

Descreve que “a indústria têxtil enfrentava já então a sua incapacidade para responder ao avanço da tecnologia no sector têxtil, o que conduziu à perda de competitividade das empresas e ao encerramento de grande número de unidades fabris”.


“Com a criação do Ensino Superior, deu-se início a uma nova era, a Era do conhecimento, e com isso possibilitou-se a refundação da Cidade da Covilhã e o surgimento de um farol de luz esclarecida para os territórios do Interior”, disse

Estava dado o mote para o início das celebrações dos 50 anos de ensino superior na Covilhã, e na Beira Interior, o que aconteceu com as homenagens aos que estiveram “na fundação” da instituição, alunos e comissão instaladora.

Dirigindo-se ao primeiro aluno, José Modesto Ramos, Mário Raposo afirmou que esta é uma distinção para os cerca de 60 mil que já passaram pelo ensino superior na Covilhã.

“Na sua pessoa, homenagear todos os alunos que por aqui passaram e também todos aqueles que hoje frequentam os nossos cursos. Isto é uma homenagem aos alunos, o principal fim para a existência de uma Universidade. Sem alunos não existe Universidade. Obrigado por optarem pela nossa instituição”, vincou o reitor.

Homenageando Correia Pinheiro, único elemento da comissão instaladora ainda vivo, a UBI homenageou “aqueles que tiveram a visão estratégica para o lançamento da instituição”.

“Obrigado pela vossa visão, pelo vosso empenho esclarecido, obrigado pelo vosso trabalho inicial contra tudo e contra todos, fundamental para que hoje possamos aqui encontrar-nos e para aquilo em que nos conseguimos transformar”, sublinhou.

Mário Raposo descreveu uma universidade de sucesso, com mais de 9.000 alunos, “entre as 25% melhores universidades do mundo, e em quinto lugar entre as universidades portuguesas, sendo que, na vertente investigação, está em terceiro lugar entre as universidades portuguesas”, apesar do subfinanciamento de que foi alvo entre 2009 e 2022, vincou.

“Recordo-vos que a nível de orçamento a UBI nestes 13 anos foi a universidade menos financiada e apesar disso fizemos o que fizemos, um feito extraordinário que se deve a toda a comunidade académica. Podia ter feito mais se não fosse o subfinanciamento”, garantiu.

Uma Universidade preparada para enfrentar “os novos e crescentes desafios”, concluiu o reitor.

“A UBI está claramente capacitada e aberta a participar em redes de colaboração, com vários tipos de agentes, procurando soluções vencedoras para o aproveitamento das ideias e descobertas provenientes da investigação das várias áreas científicas. Uma Universidade plenamente preparada para enfrentar com sucesso os novos e crescentes desafios do século XXI”.

José Modesto Ramos, aluno nº 1 do Instituto Politécnico da Covilhã, recordou “com saudade” uma “geração de alunos que levava tudo muito a sério”, num tempo ensombrado pelo recrutamento para guerra e pela “liberdade e responsabilidade” conquistada com o 25 de Abril.

Correia Pinheiro, muito emocionado, evocou um a um os elementos da comissão instaladora do IPC que já partiram, dando conta do papel importante de cada um deles.

Disse “ser um privilégio” receber esta homenagem e poder assim evocar os companheiros, que tiveram a visão para criar “uma instituição que se adivinhava verdadeiramente transformadora do tecido económico e social, o que se viria a confirmar”.

Realçou o trabalho “imenso intenso e empolgante” para elaborar as propostas que viriam a ser aprovadas pelo governo.

Recorda que o processo de instalação do Instituto Politécnico da Covilhã (IPC) “teve inúmeras dificuldades”, pois, contrariamente aos restantes, não foi possível recrutar professores e funcionários qualificados oriundos das universidades de Luanda e Lourenço Marques e foi necessário formar os seus.

Pedro Jacinto, presidente da Associação Académica da UBI, elogiou o esforço da reitoria em resolver todos os problemas dos estudantes, mas frisou que é preciso ir mais longe no alojamento, pois as camas que existem em residência são insuficientes.

Pediu mais psicólogos, e reforço de atividades de integração e desportivas, que ajudam também na saúde mental.

O presidente do Conselho Geral, que por motivos profissionais não esteve presente, em mensagem deixou votos de sucesso à UBI, vincando que “desejar sucesso à UBI é o mesmo que desejar sucesso ao Interior”.