Paulo Cunha Ribeiro lidera nova comissão de gestão do Sporting da Covilhã

O associado Paulo Cunha Ribeiro vai coordenar a nova comissão de gestão do Sporting Clube da Covilhã, depois de a lista apresentada ter sido aprovada esta sexta-feira em Assembleia Geral. Dos 65 sócios votantes, 49 votaram a favor, 15 contra e registou-se um voto em branco.

Também a comissão de fiscalização foi aprovada pelos associados, recolhendo 47 votos favoráveis, 15 contra e um voto em branco.


A solução surge após a inexistência de listas candidatas aos órgãos sociais nas assembleias eleitorais convocadas para 9 de maio e 6 de junho, recorrendo-se ao mecanismo estatutário que permite a constituição de comissões transitórias para assegurar a gestão do clube.

Comissão de gestão e fiscalização eleitas por um ano

A comissão de gestão foi eleita por um período máximo de um ano e será coordenada por Paulo Cunha Ribeiro.

Além do coordenador, integram a estrutura José Santos, responsável pelo futebol profissional; Hugo Duarte, na área dos sócios e relações institucionais; Rafael Morais, nos estatutos e legislação; Paulo Fonseca, Luís Canário e André Raposo, na formação; Paulo Farias, como tesoureiro; Luís Pereira Nina, no marketing; Beatriz Mangana Duarte, como secretária de comunicação; Nuno Pinto, no património, infraestruturas e segurança; Marco Gabriel, na área financeira; e Vasco Pereira, responsável pelo orçamento e contas.

A comissão de fiscalização será coordenada por Carlos Carapito, tendo como vogal João Ribeiro e como secretário Manuel Carapito da Conceição.

Ao apresentar a proposta, Paulo Cunha Ribeiro sublinhou o caráter transitório da solução e deixou o apelo à participação dos associados.

“Aqui não há ninguém agarrado a nada, apareçam sócios com ideias, com capacidade para formar uma direção.”

O novo coordenador acrescentou que considera ser obrigação da comissão convocar eleições logo que existam condições para tal. “Caso tal aconteça, assim o faremos.”

Ainda assim, admitiu que a própria equipa poderá avançar futuramente para uma candidatura aos órgãos sociais.

“É intenção também desta comissão, nos próximos meses, e avaliando as condições exatas do clube e aquilo que pretendemos para o seu futuro, muito provavelmente avançaremos para uma direção quando as condições assim o permitirem.”

Estabilizar, organizar e profissionalizar o clube

No final da assembleia, Paulo Cunha Ribeiro traçou como prioridades imediatas a estabilização financeira e administrativa do clube.

“Estamos eleitos, estamos prontos para começar a trabalhar. Estamos com toda a vontade, com toda a garra, para trazer ordem e estabilidade ao clube.”

O dirigente defendeu uma gestão rigorosa das contas e garantiu que o clube terá de viver de acordo com os recursos disponíveis.

“O Sporting da Covilhã não pode continuar nesta senda de gastar o que não tem.”

Segundo explicou, a ausência de uma candidatura imediata à direção prende-se com a necessidade de conhecer em profundidade a realidade do clube.

“Temos que organizar o clube, temos que o modernizar, temos que o profissionalizar se quisermos que o clube tenha futuro.”

A nova equipa pretende avaliar a situação durante os próximos meses e, caso o cenário estabilize, avançar para um projeto de maior duração.

“Se dentro de dois, três, quatro, cinco meses considerarmos que o clube está estabilizado e as coisas estão a correr dentro da normalidade, aí a nossa intenção é avançar para um projeto de três anos e não para um projeto de um ano.”

Objetivo desportivo passa pela luta pela subida

Apesar das preocupações financeiras, Paulo Cunha Ribeiro garantiu que a vertente desportiva já está a ser preparada.

“A partir de já. Nós já estamos a trabalhar há alguns dias.”

O coordenador revelou que dentro de duas semanas o grosso do plantel deverá estar definido e assegurou que o orçamento em preparação permitirá construir uma equipa competitiva para a Liga 3.

“É um orçamento extremamente realista e que nos permite ter uma equipa de futebol profissional para se manter na Liga 3.”

Mas a ambição vai além da manutenção. “Espero ir disputar a fase de subida. O nosso objetivo, muito simples, é ir disputar a fase de subida.”

Para o dirigente, qualquer meta inferior ficaria aquém da dimensão histórica do clube.

“Menos do que isso é mau, é pouco. Estamos a falar do Sporting Clube da Covilhã, estamos a falar de 103 anos de história.”

A nova comissão pretende ainda reforçar a ligação aos sócios e à região, apostando na comunicação e na dinamização da massa associativa.

Proposta de Paulo Rosa gera forte contestação

Logo no inicio da Assembleia geral o sócio Paulo Rosa, que integrava a comissão de gestão cessante, apresentou uma intervenção que acabou por marcar parte da discussão na sessão e gerar forte reação entre os associados.

Falando a título individual, Paulo Rosa defendeu que o clube não deveria prolongar por mais um ano uma situação de gestão transitória, argumentando existir já uma solução preparada para os órgãos sociais e para a entrada de investidores.

“Estamos aqui com uma solução concreta, trabalhada e pronta a ser apresentada.”

Segundo afirmou, existe uma proposta estruturada para a criação de uma SAD e para a entrada de investidores.

“Defendemos que seja aberta com urgência à decisão dos sócios a constituição de uma sociedade anónima desportiva com base numa proposta concreta e transparente.”

O associado propôs ainda que a futura comissão de gestão assumisse o compromisso de convocar rapidamente uma assembleia para apreciação da SAD, seguida de eleições.

A intervenção foi recebida com evidente contestação na sala e mereceu resposta imediata de elementos da comissão de gestão cessante.

José Santos acusa Paulo Rosa de colocar “a carroça à frente dos bois”

José Santos, coordenador da comissão cessante e apontado para liderar a área do futebol profissional na nova estrutura, mostrou-se surpreendido com a posição assumida por Paulo Rosa.

“Muito me espanta esta declaração do Paulo Rosa, que estava connosco na comissão.”

O dirigente considerou prematuro discutir investidores sem antes estabilizar o clube e regularizar a sua estrutura societária.

“Andamos com a carroça à frente dos bois. Andamos a querer vender aquilo que nem é nosso.” “Primeiro tem de haver uma estabilidade no clube. Tem de haver alguém que ponha as contas em ordem.”

Uma posição defendida pela maioria das intervenções dos associados.

Abertura a investidores, mas com salvaguarda dos interesses do clube

Questionado sobre a possibilidade de entrada de investidores no capital da futura sociedade desportiva, Paulo Cunha Ribeiro garantiu que a nova comissão de gestão está disponível para ouvir todas as propostas que possam beneficiar o Sporting da Covilhã, mas deixou claro que qualquer negociação será feita apenas depois de existir legitimidade para o fazer e sempre com a proteção dos interesses do clube.

O dirigente revelou ter sido contactado recentemente por um potencial investidor, mas recusou qualquer conversa antes da sua eleição.

“Há oito dias recebi um telefonema de um senhor que se identificou com potencial investidor e queria falar comigo.” “Eu respondi-lhe uma coisa muito simples: ligue-me de sábado a oito, que se a minha comissão for eleita, eu já terei a legitimidade de falar consigo. Até lá, está a falar com um sócio que pode acolhê-lo, pode ligar a qualquer um dos outros três mil e negociar com eles. Comigo não.”

Paulo Cunha Ribeiro frisou que o clube não se encontra numa situação desesperada e rejeitou qualquer cenário em que o Sporting da Covilhã surja fragilizado perante eventuais investidores.

“Se vem cá pensar que vem negociar com um clube que anda de mão estendida, meu amigo, nem perca tempo, não vem cá fazer nada.”

Apesar disso, deixou a porta aberta a todas as soluções que possam acrescentar valor ao projeto desportivo e financeiro do clube. “Estaremos abertos a falar com toda a gente.” “É bom saber que o Sporting da Covilhã tem gente interessada, é muito bom. Poderá até ser uma excelente opção.”

O coordenador da nova comissão sublinhou, contudo, que qualquer proposta será analisada com rigor antes de ser apresentada aos associados.

“Quando as conhecermos, tomaremos a decisão se faz sentido apresentá-la aos sócios ou não.”

Paulo Cunha Ribeiro reforçou ainda que a eventual entrada de investidores terá sempre de garantir a defesa dos interesses do clube.

“O clube tem de estar extremamente salvaguardado. Na entrada e na potencial saída dos investidores.”