Bombeiros Voluntários da Covilhã mostram desagrado com órgãos sociais e pretendem suspender trabalho voluntário 

Os Bombeiros Voluntários da Covilhã informaram que vão suspender a disponibilidade voluntária para o serviço noturno e de fim de semana, mantendo todos os serviços de natureza obrigatória. O início da medida vai ser comunicado a toda a população. 

Em nota enviada à RCC, os Bombeiros exigem a demissão do presidente da Direção, Joaquim Matias, devido a alguns factos como: o debate não acolhido em Assembleia Geral, a exposição formal que ficou sem resposta, os alertas do Comando que não tiveram consequência e os sete dias de silêncio perante a comunicação formal enviada pelos Bombeiros, em manifesto. 


Outra das motivações, deve-se à oposição à nomeação, pela Direção, do novo Comandante, Armando Maria, sendo que foi uma decisão tomada antes de concluída a auscultação às chefias do Corpo de Bombeiros e os resultados nunca foram revelados aos inquiridos. 

“O socorro noturno e de fim de semana neste concelho assenta, há vários anos, no voluntariado dos Bombeiros, os mecanismos previstos no protocolo celebrado com o INEM não foram até hoje acionados. Cada um destes Bombeiros dedica, em média, mais de 700 horas anuais de voluntariado, quando a lei estabelece um mínimo de 160. São precisamente aqueles que mais se dedicam à corporação que se veem hoje compelidos a este protesto”, pode ler-se na nota. 

Estas posições foram discutidas em reunião de companhia de corpo ativo, no dia 29 de maio, dado que em abril, já tinham realizado o primeiro gesto de protesto, pousando simbolicamente os seus capacetes frente ao quartel. 

Ainda em abril foi entregue uma exposição formal, com prazos de resposta “que expiraram sem uma palavra”. No dia 22 de maio, mais de cinquenta Bombeiros subscreveram um manifesto público, lido na reunião da Câmara Municipal da Covilhã.  

Perante este cenário, os Bombeiros signatários informam, em comunicado, a decisão de se absterem da prestação de serviço em regime de voluntariado. O momento do início da abstenção vai depender da postura dos órgãos sociais. 

“Esta decisão, difícil, mas necessária, deve-se à total ausência de diálogo por parte da Direção da Associação face aos graves problemas internos que temos denunciado, e que afetam a estabilidade do corpo ativo e a transparência da instituição. Esgotadas todas as tentativas de resolução consensual e institucional, esta é a única forma que encontrámos para defender a dignidade da nossa corporação e garantir que, no futuro, continuaremos a ter um Corpo de Bombeiros forte, unido e respeitado”, escrevem ainda.