25 Abril Covilhã. Hélio Fazendeiro: “A democracia não é irreversível”

Na sessão solene da Assembleia Municipal da Covilhã, comemorativa dos 52 anos do 25 de Abril, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o presidente da Câmara Municipal, Hélio Fazendeiro, proferiu um discurso marcado por apelos à responsabilidade democrática, à ação política e à prestação de contas, sublinhando que “Abril não foi inevitável” e que a democracia exige compromisso permanente.

Perante a Assembleia Municipal, o autarca alertou que a evocação da Revolução dos Cravos não pode ser reduzida a um ritual simbólico. “Celebrar Abril exige consciência, exige responsabilidade política, exige compromisso e ação contínua”, afirmou, lembrando que os valores da liberdade, igualdade e justiça social “não são apenas herança. São missão”.


Num dos momentos centrais da intervenção, Hélio Fazendeiro advertiu que “a liberdade não é um dado adquirido” e que “a democracia não é irreversível”, defendendo que a confiança nas instituições “constrói-se todos os dias com o trabalho de cada um de nós”.

O presidente do município definiu o 25 de Abril como “um exercício de responsabilidade e ação”, ligando os ideais da revolução ao papel do poder local e ao exercício da governação. “Não podemos limitar-nos a recordar. Temos de prestar contas. Temos de assumir o que estamos a fazer com o mandato que nos foi confiado”, declarou.

Foi nesse contexto que o autarca recordou medidas recentes anunciadas pelo executivo, entre elas a proposta de isenção de IMI durante cinco anos para jovens até aos 35 anos na compra da primeira habitação para residência permanente na Covilhã, reforçando a aposta na fixação de população jovem.

No discurso, destacou ainda intervenções e investimentos em curso ou em preparação no concelho, desde a reparação e requalificação de vias, reforço do investimento nas freguesias, apoios ao movimento associativo e a requalificação do Estádio Municipal do Teixoso.

“A política mede-se naquilo que se concretiza”, afirmou, defendendo que a resposta ao afastamento e à desconfiança dos cidadãos face à política “não é com mais discurso. É com mais ação”.

Hélio Fazendeiro aproveitou também a sessão para enquadrar estas medidas como parte de uma visão mais ampla para o concelho, apontando projetos estruturantes como a afirmação da Covilhã como polo industrial regional, a concretização do IC6 e a melhoria da ligação ferroviária a Lisboa.

“E é com essa ambição que olhamos para projetos estruturantes — projetos que exigem articulação e apoio do Governo e para os quais continuaremos, com determinação, a trabalhar, a exigir e a reivindicar”, disse, elencando “a localização natural da principal Zona Industrial da região para ser motor de desenvolvimento e criação de emprego. A concretização do IC6, que chegará com décadas de atraso. E a melhoria da ligação ferroviária a Lisboa — essencial para reforçar a coesão territorial e a competitividade do nosso concelho. Porque o futuro não se espera. Constrói-se”

Na reta final da intervenção, deixou uma das mensagens mais fortes do discurso: “Celebrar o 25 de Abril é, acima de tudo, assumir um compromisso. Um compromisso com a liberdade, mas também com o desenvolvimento e com a responsabilidade”.

E concluiu com uma ideia que resumiu o tom da sua intervenção na Sessão Solene: “Não basta lembrar Abril. É preciso cumpri-lo. Cumpri-lo com decisões, com investimento, com trabalho e com resultados”, terminou.